sábado, 7 de março de 2009

De quem é a praça? De quem é rua? De quem é a lua?


Tudo bem que a praça é do poder público, porém é do pobre é do rico é do público também.
Na praça é gente que vai, é gente que vem. Mas na verdade não é de ninguém.
Na rua todo mundo gira, todo mundo passa. Mas ela não é minha, nem é sua também.
E a Lua? Ela é sua? Não. A Lua é do espaço que a detém.
Algo me incomodou muito quando tentei refletir e não entendi sobre o que vi na praça outro dia. Quarta feira é sempre um dia alegre, dia de sair nas ruas, dia de ir na praça, de ir na feira da lua.
Na quarta feira é dia do pobre mundo dos ricos. Ou será que é dia do rico mundo dos pobres?
Andando pela feira, deparei com um menino muito pobre, mas era tão pobre que não tinha calçados nos pés. O menino deveria que ter uns três anos de vida, mal sabia falar. Então em meio à multidão, implorava por uma migalha de pão.
Aquele menino pequeno andava pelo meio do povo, pedindo uma moeda, queria comer.
Será que aquele dia seria um rico dia para um menino pobre? Ou será que os ricos ficariam mais pobres se dessem uma esmola ao menino?
Já não sei se pobre é quem pede, ou se pobre é quem não dá o que comer a quem tem fome.
Pobre e mesquinha é a atitude de quem têm e não dá.
Será que aquele que instala uma barraquinha na praça é rico? Ou será pobre porque ali tem que trabalhar?
Será que quem passeia pela praça é rico porque tem para comprar? Ou será que quem passeia pela praça é tão pobre a ponto de ter que pedir?
Ninguém é tão pobre que não tenha algo a oferecer. E ninguém é tão rico que não precise da ajuda de alguém.
Foi de cortar o coração, quando o menino de pés no chão no meio da multidão pediu ao rico dono da barraquinha um pedaço de pão, e o irmão sem a mínima noção, lhes disse não. E foi de cortar o coração quando o dono da barraquinha disse ao menino para sair dali, porque ali ele não pode ficar.
Quem instala uma barraquinha na praça, debaixo da lua, na rua, que é minha e que e é sua, não tem o direito de dizer que naquele espaço o menino não pode ficar. Esse espaço não é meu, nem seu, não é de ninguém.
De quem é a praça? De quem é rua? De quem é a lua?

“Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo."(Clarice Lispector)

2 comentários:

  1. Um dos maiores desafios do mundo é entender o que se passa na cabeça das pessoas. E seria na verdade esse menino o pobre? Se bem na realidade muita gente ve a situação injustiçada e mesmo assim não faz nada?
    "Oras pobre eu também sou... Luto para conseguir cada tostão e não fico pedindo um pedaço de pão, nem coloco filho no mundo sem ter condição"
    Pobres, julgados e condenados sem defesa, e quem somos nós para da-los o veredicto?
    Feliz daquele que consegue manter a sanidade e a pureza em meio a toda essa confusão de egos e disputas por posição social, pois a pior pobreza não é a pobreza física e sim a espiritual.
    Abraço Vivi
    Juliana

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  2. Obrigado Vivi!
    Adorei te blog, e agora que eu redescobri que tinha um fiquei viciaada kkkkkkkkkk
    Bjos

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